Resolvi escrever porque nós nunca sabemos quando não teremos mais a oportunidade de falar nada, e isso é desconfortante.
Estou aqui pra botar pra fora tudo que tá por dentro. Todas as metamorfoses que eu sofri ou que eu acho que sofri. Mas acredito que as mais contundentes a gente nunca se dá conta que sofreu...
Aquela velha mania de perder os sonos sagrados refletindo em problemas dos quais a gente mesmo cria foi perdida, ponto positivo.
Nós nunca sabemos o real motivo pelo qual nos atraímos pelas pessoas. Já fui muito questionada e me questionei também das razões pela qual eu fui parar aí, dentro da sua vida, e por que deixei que você habitasse a minha. Nós não somos iguais. Aliás, não mesmo! Eu sempre me senti bizarra por não acompanhar os gostos das pessoas em geral, nem musicais, nem de roupas e nem de programas de lazer... até fazia algumas coisas iguais para não ser marginalizada, mas sabe, não era meu forte. E pela primeira vez alguém não me fez sentir bizarra. Alguém que eu falo meus pensamentos mais viajados e que existe um entendimento. Alguém que tem playlists sensacionais no carro, que tem AS músicas que vão na minha alma. Alguém que sabe, assim como eu, se vestir de gente grande pra trabalhar, mas não abre mão de uma roupa "non-sense" e engraçada. (PS: agora sou it girl nas horas vagas). Alguém que concorde que Super Mario é mais legal do que um lugar cheio de gente cérebro de ervilha. Alguém que aprecie beleza, mas saiba que visão, inteligência e carisma são a cereja do bolo, ou talvez troquemos a cereja por Kit Kat.
A verdade é que essas coisas são pontos positivos de compatibilidade, de visão de mundo, mas não é isso que nos une. O que me fez estar aqui são outras coisas, as coisas que a gente odeia, por saber que são nossos erros.
Nisso tudo, nesse meu jeito despreocupado e desastrado, você veio pra trazer a seriedade que me faltava, o "fechar a cara" nas horas certas. Trouxe um pouco de pontualidade, a qual eu não tenho e nem julgava importante - até estar do outro lado, e você tem razão. Trouxe um pouco a velhice e ranzinzice ao meu frescor e jovialidade irritantes. Trouxe o silêncio que eu não sei lidar nas pessoas, já que falar é como respirar pra mim. Trouxe a frieza de encarar que o mundo não é bonito, e que a gente bate a cara independente do coração cheio de boas intenções. Trouxe o álcool... sem explicações sobre isso.
O melhor nesse um ano de distância...foi enxergar isso. E perceber que eu me enganei, eu nunca precisei de você. Eu nunca tive necessidade de você. E me enganava diariamente acreditando nisso, nessa necessidade e "precisão". Eu gostava de você, eu tinha escolhido você. E não estar junto foi ruim, não foi "falecível" porque estou aqui, mas foi ruim.
sexta-feira, 4 de outubro de 2013
Carta ao meu ex namorado
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